O roteiro, também assinado por Escribano, aposta na contenção como estratégia narrativa. Em vez de grandes arcos dramáticos, “Violetas” trabalha com silêncios, hesitações e desencontros, construindo uma intimidade sempre ameaçada. A repressão não aparece apenas na figura explícita do Estado, mas se infiltra nos corpos, nos olhares e nas decisões mínimas dos personagens, criando uma atmosfera em que o desejo nunca é plenamente seguro.
Um dos grandes trunfos do filme está na montagem precisa, que faz do tempo um aliado dramático. As elipses não apenas condensam a narrativa, mas reproduzem a experiência fragmentada de um amor que não pode se desenvolver livremente. O previsível, o perigo, a perda, a interrupção, ganha força justamente pela forma como o filme administra a espera e a ausência, chegando a um desfecho que impacta mais pela delicadeza do que pelo choque.
A fotografia de Mario López utiliza a cor como verdadeiro termômetro emocional. Tons mais frios e o preto e branco dialogam com o clima opressivo do franquismo, enquanto pequenas variações cromáticas sugerem momentos de desejo, esperança ou ilusão. Nada é excessivo: a imagem nunca sublinha o drama, mas o acompanha de maneira orgânica, reforçando a sensação de um mundo em que a beleza existe, ainda que constantemente ameaçada.
“Violetas” funciona como homenagem silenciosa aos dissidentes queer da ditadura franquista, chamados de forma pejorativa de “violetas”, mas aqui ressignificados como símbolo de resistência. Ao transformar uma história íntima em gesto político, o curta reafirma que lembrar esses corpos e afetos não é apenas um exercício de memória, mas um ato de justiça. Borja Escribano entrega uma obra pequena em duração, mas densa em implicações, que entende o cinema como espaço de escuta, reparação e memória.
https://drive.google.com/file/d/1dvOB5Kt_01E079Nob_lrImBIJYETV9Zz/view?usp=sharing
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