terça-feira, 30 de dezembro de 2025

TOP 10 FILMES LGBTQIA+ 2025

 
Mais do que um ranking, esta lista desenha um mapa de tensões, desejos e disputas que atravessaram o cinema queer ao longo do ano. Do interior rural brasileiro às saunas de Copenhague, das estradas mexicanas aos centros urbanos filmados em sua crueza política, a seleção aposta em narrativas profundamente situadas. Os TOP 10 LGBTQIA+ DE 2025 evidenciam uma pulsão pelo risco. Thriller erótico, fábula política, animação pop, melodrama histórico e road movie coexistem sem hierarquia estética, unidos pela disposição de tensionar linguagem e expectativa.  Entre margens e consagrações, entre o desejo em risco e a liberdade encarnada, os filmes a seguir compõem um retrato de um ano em que o cinema queer se mostrou mais vivo, mais localizado e politicamente ainda mais afiado.

A Contagem Regressiva dos 10 Melhores

Animação 2D pop sobre a tímida Saira que precisa resgatar a ex, Kiki, das garras dos Straight White Maliens. Primeira animação a receber o Teddy Award em Berlim. Cria um cânone queer que celebra a alegria, transformando a labrys (arma simbólica sáfica) em herança afetiva e política.

Revisita a peça "Hedda Gabler" (Ibsen), transferindo a ação para a Inglaterra dos anos 1950. Tessa Thompson vive Hedda, mulher sofisticada e manipuladora, sufocada pelos códigos sociais. O olhar de Tessa Thompson basta para significar desejo e malícia. É um "baile em lava" onde o glamour é uma armadilha, explorando a elegância de época com tensões modernas.

Johan, jovem gay, se apaixona por William (Nina Rask), um homem trans, na sauna cruising Adonis em Copenhague. Romance ousado e terno, pioneiro por ter um homem trans como protagonista de uma trama de desejo e pertencimento em um espaço queer tradicional.

Policial Lucas (Tom Blyth) se infiltra em banheirões dos anos 90, mas entra em conflito com sua identidade ao se apaixonar por seu alvo, Andrew (Russell Tovey). Resgata a memória da repressão social na América dos anos 90. Explora com sensibilidade a vergonha, ansiedade e o conflito interno de assumir a sexualidade em um contexto repressivo.

06: VIVRE, MOURIR, RENAÎTRE , de Gaël Morel (França, 2024)

Drama nos anos 90 sobre o triângulo amoroso (Emma, Sammy, Cyril) cujas vidas são ligadas pelo amor e pela epidemia de AIDS. Retrata de forma nostálgica, mas inclusiva, as nuances de relacionamentos héteros, bi e homossexuais que resistiram à tragédia do HIV/AIDS, sendo uma celebração da amizade e do amor.

Romance homoerótico rural intenso em 1984, narrando o encontro entre o rústico Antônio (Lucas Drummond) e o motociclista Marcelo, e suas vidas ao longo de décadas (com Fernando Libonati como Antônio na maturidade). É sobre o amor que resiste ao tempo e ao silêncio do campo. Traz uma bem-vinda representatividade a corpos maduros, investigando a convivência, o desejo e o pertencimento.

Fábula árida no Atacama (1982) sobre mulheres trans e travestis lidando com uma doença misteriosa (alegoria da AIDS), misturando realismo mágico e ativismo. Obra que reescreve a história da epidemia de AIDS sob a perspectiva trans chilena. Força no rigor formal e na reivindicação da dignidade no deserto.

Thriller erótico ambientado em Porto Alegre que acompanha o caso secreto entre Matias (Gabriel Faryas), um ator em ascensão, e Rafael (Cirillo Luna), político emergente em plena construção pública de imagem. Entre encontros furtivos, sexo em espaços públicos e jogos de poder, o filme tensiona o desejo como força íntima e risco social.

Road movie sombrio e ardente sobre Veneno (garoto de programa em fuga) e Muñeco (seu cafetão), que cruza o país em uma jornada de desejo, violência e sobrevivência. Filme sobre corpos que vendem prazer e compram tempo. Pablos compõe uma narrativa que transforma a prostituição masculina em paisagem e linguagem, expondo o desejo de ser visto à beira do abismo.

Cinebiografia vibrante de Ney Matogrosso, focada em sua luta por personalidade desde a infância (conflitos com o pai militar) até sua consagração como performer revolucionário. Coroação merecida do maior ícone da liberdade na cultura brasileira. Num tour de force de Jesuíta Barbosa, o filme pulsa com a energia subversiva de Ney, equilibrando fidelidade histórica com uma estética ousada e espetacular.

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Do thriller erótico em Porto Alegre à estrada mexicana, culminando na consagração de um ícone nacional, o nosso pódio reafirma que as narrativas mais viscerais e urgentes estão sendo contadas aqui e agora. Que essas histórias continuem a nos provocar, a nos excitar e, acima de tudo, a nos lembrar que a liberdade é um exercício diário de coragem. Até 2026!

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