quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Os Cinco Diabos(Les Cinq Diables, França, 2022)


 A pequena Vicky (Sally Drame) vive nos Alpes franceses com sua mãe Joanne, Adèle Exarchopoulos, de Azul é a Cor mais Quente(2013), e seu pai bombeiro Jimmie(Moustapha Mbengue). A criança é intimidada na escola por causa de seu black-power. É por isso que ela adora acompanhar a mãe no Aquafit. A ex-Miss Rhône-Alpes lidera os concursos à beira da piscina. Mas apesar de uma grande foto de casamento no local de trabalho: seu relacionamento está em crise.

O que a mãe não sabe, porém, é que Vicky tem um bom faro. Não só ela pode localizar sua mãe através de seu olfato, Vicky também coleta cheiros no vidro e rotula-os cuidadosamente.

Quando a irmã de seu pai, Julia (Swala Emati) vai morar com eles, Vicky não consegue cheirá-la figurativamente. E uma garrafa preta em seus pertences até os faz desmaiar. É o início para que a criança comece a embarcar numa jornada sobre o passado de sua mãe e sua tia.


Desde o primeiro quadro, a diretora Léa Mysius marca The Five Devils com uma força perversa de criatividade visual e estilo. Mysius criou uma história de amor divertidamente vibrante e peculiar que percorre o tempo.



O filme é maravilhosamente  filmado: cada quadro aparece com cor e explode com energia. Da mesma forma, uma trilha sonora mágica lança um feitiço contagiante, atraindo instantaneamente o público.

Por baixo da superfície encontra-se uma história de amor genuinamente comovente, tornada ainda mais excepcional pelos retratos cativantes de Exarchopoulos e Emati. Basta uma apresentação louca no karaokê, de Total Eclipse of the Heart ,de Bonnie Tyler, para ver o quanto as duas estão apaixonadas uma pela outra, depois de todos esses anos. Da mesma forma, a visão madura de Vicky sobre essas descobertas empresta ao roteiro uma camada extra de humanidade.


Léa Mysius sabe confrontar o estranho com um realismo social cru e não afetado. E sobretudo há uma história de desejos, coração e, a partir desses desejos enterrados, uma busca pelas origens e ancestralidade.


The Fivel Devils usa dos cinco sentidos como uma experiência sensorial: olfato, paladar, tato, audição, visão. A alguns desses sentidos é atribuído um papel central, enquanto outras conexões seguem caminhos mais sutis, mas tudo traduz os estímulos da energia escópica para investir nas reações do corpo.

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