terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Mato Seco em Chamas(Portugal/Brasil, 2022)

A ascensão da mistura de direita de nacionalismo populista e autoritarismo hiperbólico do desgoverno  impronunciável, que dominou o Brasil, desde 2018 até recentemente, tornou a vida cada vez mais difícil para quem se encontra em um grupo minoritário no Brasil.

Na Favela de Sol Nascente, na Ceilândia, DF, Chitara (Joana Darc Furtado) lidera um bando de ‘gasolineiras’ que roubam petróleo dos canos subterrâneos para ganhar a vida. Elas têm um acordo para vender isso para 'motoboys', que fornecem proteção e segurança na favela. Muitas vezes, diante de um policiamento cada vez mais violento e demonstrativo. A história é contada pela perspectiva de sua irmã Léa (Léa Alves da Silva), uma ex-presidiária que tenta se enquadrar.


Mato Seco em Chamas une os mundos ficcional e factual para criar uma experiência que permanece em algum lugar no meio. O filme de Joana Pimenta e Adirley Queirós é uma crítica contundente do Brasil moderno e um retrato vibrante da subclasse em rápido crescimento.


Ele funde uma consciência política feroz com uma forma cinematográfica ousada de forma tão poderosa. Só que Joana Darc Furtado, a lendária Chitara, que desenhou um sistema de perfuração improvisado, com bombas velhas para roubar petróleo de um oleoduto subterrâneo, é uma pessoa real, histórica , por mais fantástica que sua história de vida possa parecer.


O longa aborda com sucesso as duas questões mais urgentes do cenário midiático contemporâneo, a falta de credibilidade dos grandes meios de comunicação e a necessidade de fazer com que as vozes daqueles que não têm poder sejam ouvidas.

Chitara e sua quadrilha tinham objetivos políticos diretos, fundaram o PPP, Partido Popular Prisioneiro, e o programa simples, apresentado pela candidata, sua colega Andreia Vieira, que pretendia acabar com o toque de recolher e introduzir serviços básicos como esgoto, escolas comunitárias e linhas de ônibus oferece um vislumbre da miséria da vida nas favelas. Por outro lado, é claro, existem os apoiadores de Bolsonaro que declaram que Lula está morto em seus comícios.


Os diretores criaram uma narrativa notavelmente fluída composta de testemunhos sinceros e alegorias poderosas. As longas passagens em que a protagonista do filme ganha espaço para se expressar livremente com palavras e gestos corporais. E reconstruções hábeis de eventos passados.

Tudo é unido pela música, do brega atrevido da Banda Muleka 100 Calcinha ao rap do DF Faroeste. A música desempenha um papel particular em Mato Seco em Chamas. As canções são sobre sentimentos e sonhos, desolação e esperança. Uma situação desesperadora onde não há nada além de chão seco, mas ainda assim fogo, isto é, paixão, desejo de uma vida nova e melhor.

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