sexta-feira, 16 de junho de 2023

Estados Unidos vs Billie Holiday(The United States vs Billie Holiday, EUA, 2021)

Na década de 1940, Billie Holiday(Andra Day) era uma cantora afro-americana com influências de jazz já bem estabelecidas no cenário musical. O público, branco e negro, ia assisti-la todas as noites enquanto ela se apresentava em muitos cabarés em todo o país.

Quando solicitada a cantar seu hit mais polêmico 'Strange Fruit', que compara o linchamento de pessoas negras penduradas em árvores a frutas que são balançadas pelo vento, o FBI decide atacar a artista, prendendo-a por uso de narcóticos, temendo acima de tudo que a música desencadeie uma guerra civil. 


A trama se concentra nos anos entre 1947 e 1957, quando Billie Holiday já estava sob observação da Administração Federal de Narcóticos. O livro, de Johann Chari, que serviu de base para o roteiro de Suzan-Lori Park, se concentra mais no confronto entre o chefe da comissão de drogas e a cantora, que seu desenvolvimento artístico.


Harry Anslinger(Garrett Hedlund), chefe e agente no serviço, que mais tarde se tornou parte da DEA, queria fazer um exemplo da cantora de sucesso. Seus 120 cigarros e doses diárias de heroína eram bem conhecidos, mas Anslinger e seu grupo nunca conseguiram flagrar Holiday em posse de droga.


Em sua produção, Lee Daniels, usa a canção 'Strange Fruit' corre como um fio vermelho que percorre a trama, também porque a canção foi um símbolo marcante na vida de Billie Holiday e de todo o movimento negro nos Estados Unidos.


Embora bastante específico e deixando questões importantes de lado, este filme é um exemplo de pura bravura, com uma atriz iniciante escalada para retratar uma alma torturada e complexa. Felizmente para ambos, o risco valeu a pena, já que Day é de tirar o fôlego como Holiday.


De muitas maneiras, é sua performance impressionante que o levará a essa história fascinante, com não apenas Day capturando o tormento físico e mental que Holiday sofreu, mas também entregando cenas arrepiantes de seu canto no palco. Certamente Lee Daniels captura o humor e a obscuridade na medida certa, especialmente com seu uso de cores, com Day irradiando efervescente ou destruída em cada cena que está.  É lógico que sua bissexualidade é abordada, e a personagem de Natasha Lyonne está lá para não deixar dúvidas.


Em sua essência, o filme conta como Billie foi traída pelo racismo e a hipocrisia. Um informante e amante negro, chamado Jimmy Fletcher (Trevante Rhodes) a usou e a delatou. Ele era apenas um dos nove agentes negros do FBI na época, que recebia ordens de um chefe branco que odiava abertamente os negros americanos e o jazz.




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