sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Deixa Ela Entrar(Låt den rätte komma in, Suécia, 2008)

O escritor sueco John Ajvide Lindqvist surpreendeu o mundo em 2004 com Deixa Ela Entrar, um romance que foi uma reviravolta no mito dos vampiros e conseguiu ser um grande best-seller. A chave para essa boa recepção foi a combinação habilidosa de uma bela história de amor adolescente com temas bastante polêmicos como drogas, prostituição, pedofilia e bullying.

Como não poderia deixar de ser, esse material suculento logo despertou o interesse da indústria cinematográfica em fazer sua inevitável tradução em imagens. O próprio romancista se encarregou de um roteiro que suaviza os ingredientes mais espinhosos do livro, substituindo a explicitação pela insinuação, enquanto Tomas Alfredson dirigiu tudo com muita habilidade.


A ação se passa no início dos anos oitenta em um inverno rigoroso em um subúrbio de Estocolmo. O tímido Oskar (Kåre Hedebrant) vive com a mãe em um apartamento monótono e sofre bullying na escola. Sua solidão termina com a chegada ao bairro de Eli(Lina Leandersson), que se mudou para a casa ao lado dele na companhia de um adulto;

Deixa Ela Entrar é lindamente filmado e também dá uma imagem reconhecível do tempo. O filme se passa nos anos oitenta e isso pode ser visto nas roupas, no cubo mágico com o qual Oskar brinca e nas imagens televisivas que ainda são sobre a União Soviética.



Oskar é um solitário e isso o atrai para Eli, que é brilhantemente interpretada por Lina Leandersson. Em seu papel, ela é ameaçadora, exótica, mas também sensual. O contraste com o Oskar loiro é grande à primeira vista, mas ambos aceitaram que não há lugar para eles na sociedade. Quando Oskar se deixa levar pela possibilidade de se vingar, ele se transforma em Eli, que também pode ser vista como seu alter-ego.

Deixa Ela Entrar não é um filme de terror padrão, mas sim um retrato psicológico de um adolescente problemático e seu entorno. A tendência atual em torno dos vampiros combina um terror clássico com um cenário realista, e o longa é um exemplo bem-sucedido nesse sentido. O horror é realista, mas Alfredson sabe lidar com ele de forma comedida e eficaz


O filme é mais uma história de amor, amizade e apoio entre duas crianças socialmente marginalizadas lutando por sua sobrevivência, embora tenha algumas imagens de impacto que endossam a base de gênero terror.


A obra é uma experiência contemplativa e íntima que, embora como drama romântico tenha grande força, como obra de terror também não perde  eficácia. A calma habitual da narrativa é quebrada em inúmeras ocasiões por explosões imprevisíveis de violência gritante.



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