segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

retrospeQUEERtiva - PARTE 1: FILMES

2022 foi certamente um ano inclusivo, com personagens queer para todos os lados. Se a Netflix trouxe documentários e produções exibidas no Mix Brasil, em 2021, a Prime Video ofereceu opções alternativas, e até mesmo a Disney, dentro de seu nicho, lançou filmes e musicais com representatividade. Pela primeira vez, um grande estúdio, a Universal, abraça uma comédia romântica gay para chamar de sua, a bem-sucedida Mais que Amigos, e a badalada A24, inclui um catálogo interessante de personagens LGBTQIA+  em muitas de suas obras. Como sempre, os Festivais Internacionais de Cinema foram o grande radar para o que mais interessante estaria por vir, François Ozon, João Pedro Rodrigues, Lukas Dhont, e o cinema nacional brilhou lá fora com a consagração de Três Tigres Tristes, de Gustavo Vinagre, no Festival de Berlim. O lindo Paloma por aqui foi aclamado no Festival do Rio e no Mix Brasil.

Preparamos uma lista com algumas das obras mais representativas do ano, mas calma, porque separamos por tema, e tudo virá ao longo da semana, deixando o melhor para o final culminando com o já tradicional TOP 10, na sexta!




Em Rainbow, a reinvenção de O Mágico de Oz pela mente do espanhol Paco León, Dora(Dora Postigo) é uma adolescente com um talento extraordinário para a música e uma energia interior difícil de conter. Após uma forte discussão com o pai em seu aniversário, Dora sai de casa na companhia de seu cachorro Totó e inicia uma jornada em busca de sua mãe, que nunca conheceu porque desapareceu.



O musical é uma adaptação do curta-metragem vencedor do Oscar, Trevor, dirigido por Peggy Rajski, produzido por Randy Stone e escrito por Celeste Lecesne. Inspirou a organização sem fins lucrativos The Trevor Project, agora a mais importante organização mundial de prevenção de suicídio e saúde mental para jovens LGBTQIA+.



O diretor Andrew Ahn e Joel Kim Booster, que escreveu e estrela Fire Island: Orgulho & Sedução, tiveram a audácia de fazer uma releitura do clássico Orgulho e Preconceito, de Jane Austen,  na forma de uma comédia romântica queer. É como se uma grande balada da moda, neste caso um cruzeiro, com gays dançantes e sem camisa exibindo os músculos suados, ganhasse vida no cinema.



A estreia na direção de Billy Porter é uma história moderna de amadurecimento sobre o último ano de uma garota trans no ensino médio. Tudo é Possível segue Kelsa (Eva Reign), uma colegial confiante com um grupo sólido de amigos, uma mãe solidária (Renee Elise Goldsberry), um ódio pela palavra "corajosa" e uma paixão por qualquer coisa relacionada a animais. 



Crush, a comédia romântica adolescente e queer, da Hulu, com direção de Sammi Cohen, é sobre se apaixonar quando menos se espera. Paige (Rowan Blanchard) é uma aspirante a artista. Ela sonha em frequentar a CalArts desde que se lembra, e chegou a hora. O principal requisito é retratar seu momento mais feliz em forma de obra de arte.



Em Benediction, de Terence Davies, que conta a vida e as obras do poeta Siegfried Sassoon, incluindo seu relacionamento com Wilfred Owen, há um profundo e amargo sentimento de reprovação que se infiltra em suas muitas camadas. O jovem Sassoon é interpretado por Jack Lowden e o mais velho por Peter Capaldi. Conhecemos o protagonista, já desencantado por suas experiências horríveis nas trincheiras e formulando seu manifesto antiguerra.


Three Months, o filme de estreia do roteirista/diretor Jared Frieder, é um coming-of-age que inclui o cenário da AIDS no mundo contemporâneo e é positivo, como raramente visto. É um conto com nuances finas, divertido e informativo, e que nos lembra que a propagação do HIV pode ter diminuído, mas está longe de terminar.

In From The Side é um gênero que vem se expandido no cinema queer: o esportivo. É uma história de amor ambientada em um clube de rugby gay. O enredo, do cineasta britânico Matt Carter, é sobre ganhar e perder, no campo e na cama. Tudo começa com um daqueles flertes em um vestiário lotado, de corpos masculinos, depois que a equipe B acaba de perder mais uma partida. Mark ( Alexander Lincoln) se apaixona pelo inatingível quando Warren (Alexander King) joga no time A ao lado de seu namorado John,




Quando o policial Tom (Harry Styles) conhece o curador de museu Patrick (David Dawson), mal sabe ele que isso mudará sua vida para sempre. A princípio ele fica chocado, mas os dois jovens começam um caso apaixonado. O diretor Michael Grandage usa uma estrutura narrativa dupla na adaptação do romance, de Bethan Roberts, a partir de um roteiro de Ron Nyswaner, alternando continuamente entre os anos 1950 e a década de 1990. 


Mais que Amigos é a primeira comédia romântica gay a ser lançada por um grande estúdio, no caso a Universal. A estrela e coroteirista Billy Eichner se desdobra, criando um filme hilário e sincero que também reconhece a história desafiadora, e muitas vezes oculta, das pessoas LGBTQIA+ na sociedade.

Joyland(Paquistão, 2022)


Em sua estreia, Joyland, o cineasta paquistanês Saim Sadiq, venceu o Prêmio do Júri, Un Certain Regard e o Queer Palm, em Cannes. Não é uma história feliz. É uma interrogação agridoce e melancólica da sexualidade e dos papéis de gênero, que dá muitos golpes. O filme segue o instável Haider, vindo de uma família conservadora. Sem trabalho, um velho amigo lhe oferece um bico como dançarino de apoio para Biba, uma dançarina exótica transgênero. Ele é imediatamente arrebatado por Biba. Seu despertar ameaça a reputação de sua família e pressiona sua esposa.

Seguindo todos os Protocolos(Brasil, 2022)


Escrito, protagonizado e produzido pelo pernambucano Fábio Leal, Seguindo todos os Protocolos acompanha os dias vazios de Francisco, que após 10 meses, encerrado em quarentena, precisa transar. Trazendo uma nova perspectiva sobre o isolamento, o filme mostra como o protagonista passa o tempo: fumando, se masturbando, fazendo ginástica, meditando, e batendo papos online. No entanto, com sua libido aflorada, ele passa a pesquisar como transar durante a pandemia.


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