quarta-feira, 3 de agosto de 2022

O Céu Dividido(El Cielo Dividido,México, 2006)

Julián Hernández apresenta, em O Céu Dividido, um sensual estudo sobre o primeiro amor. O diretor  nos leva de volta aos dias do cinema mudo, apenas para pontuar sua história de amor quase sem palavras com uma ou duas frases estranhas, para enfatizar elementos-chave do enredo.

Pois quando Gerardo(Miguel Ángel Hoppe) conheceu Jonás(Fernando Arroyo) foi amor à primeira vista, tão intenso que eles estão mais do que felizes em mostrar ao mundo seu profundo afeto; seja no meio dos corredores da Universidade ou ao ar livre.

Apenas um breve encontro em boate mudará tudo isso, pois Jonás se vê obcecado por um cara na pista de dança, cobiçando 'aquele' em detrimento de seu relacionamento com Gerardo, em um momento em que um certo Sérgio(Alejandro Rojo) aparece. É uma situação em que a única certeza é que as coisas nunca mais serão as mesmas.

Enquanto as cenas do par de amantes jogando jogos de 'esconder e beijar' na biblioteca se misturam sem esforço com um conjunto de momentos doces e muitas vezes eróticos, você sabe que tal felicidade romântica não pode durar para sempre. Basta dizer que as expressões faciais, em vez de palavras, são eventualmente encontradas acompanhando cenas de desespero e angústia.

O elenco principal faz um bom trabalho expressando seus pensamentos mais íntimos, sem falar do desejo sexual desenfreado. Esta é uma obra extremamente física, cheia de cenas de amor e nudez masculina.


O trabalho está encharcado de tons de pele, cinematografia criativa e atenção da direção aos detalhes, que, juntamente com uma série de tomadas de câmera arrebatadoras, mostram um mundo idílico em que ninguém pisca os olhos ao ver a afeição homossexual.

Esta é, em essência, uma obra de teor homoerótico, semelhante a uma  reflexão poética sobre o amor, cheia de emoções que vão da luxúria e desejo até a rejeição, o ciúme e a amarga dor da solidão.

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