segunda-feira, 17 de março de 2025

Borderline (EUA, 2025)

“Borderline", estreia de Jimmy Warden na direção, é um coquetel explosivo de comédia, thriller e caos estilizado, que parece querer abraçar o mundo. Estrelado por Samara Weaving como Sofia, uma popstar dos anos 90, e Ray Nicholson como Paul, seu stalker obcecado, o filme mergulha numa premissa simples — um fã psicótico invade a casa da sua musa para "casar" com ela — e a transforma num circo de absurdos. Warden, que já escreveu “Cocaine Bear”, traz sua marca: um humor ácido sem medo de exagerar.

Visualmente, Borderline é como se Madonna e Quentin Tarantino tivessem dirigido um clipe perdido para a MTV. A paleta vibrante, os cortes rápidos e a trilha pop noventista — capturada com maestria pelo diretor de fotografia John Schwartzman — criam uma cápsula do tempo estilizada, mas com um twist tarantinesco: violência exagerada e diálogos que tentam (nem sempre conseguindo) ser afiados. É um filme que veste a nostalgia como um figurino de brechó usado com ironia, e nisso está seu charme e sua falha.

Samara Weaving, Scream Queen em “Ready or Not” e “Pânico 6”, entrega uma Sofia que transita entre diva esnobe e sobrevivente durona, mas o roteiro não a deixa ir muito além. Ray Nicholson, por outro lado, brilha como Paul, com uma energia maníaca que lembra a de seu pai, Jack Nicholson em “O Iluminado”, só que com um toque de inocência perturbadora. Eles dançam um tango desajeitado, mas eletrizante.


Um destaque é o subtexto queer, especialmente em Rhodes (Jimmie Fails), o namorado de Sofia, que desfila roupas femininas, brincos e maquiagem o filme todo, bagunçando os códigos de gênero com um estilo que se acentua ainda mais numa cena chave (sem spoilers aqui). O filme brinca com a fluidez de papéis tradicionais de forma caótica e inesperada. Não é uma tese sobre identidade, mas acena pra uma desconstrução que diverte e provoca.


Paul, com seus traços de delírio e impulsividade, é um vilão clássico com problemas de saúde mental — incapaz de separar fantasia da realidade —, e o filme oscila entre rir dele e lamentá-lo. Tenta humanizá-lo tarde, com vislumbres de culpa e solidão, mas prefere o close no caos a um zoom na alma dele, deixando um gosto de oportunidade perdida.


“Borderline” não decide se é sátira, thriller ou comédia escrachada — e talvez seja tudo isso, para o bem e para o mal. Não é impecável, mas é corajoso em sua bagunça, um debut que revela Warden como um diretor de riscos. Para quem curte cinema que vive da energia pura, é um prato cheio. Para outros, pode ser só ruído. Me fez sorrir e sentir na veia a nostalgia dos anos 90.



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