Lufe Steffen entrega um documentário necessário com “Uma Breve História da Imprensa LGBT+ no Brasil”. Em 110 minutos, o filme traça um panorama da imprensa queer no país, desde os mimeógrafos dos anos 60 até a internet de hoje. É um resgate histórico que mostra como jornais, revistas e zines foram ferramentas de luta e representatividade, refletindo a evolução dos direitos da comunidade LGBTQIAPN+ e da própria sociedade brasileira.
O projeto nasceu em 2020, durante a pandemia, quando Lufe começou a estudar essa história para um vídeo no seu canal do YouTube, lançado em 2021. O que era um ensaio virou um longa robusto, cheio de vozes potentes. Depoimentos de figuras como Nany People, João Silvério Trevisan, James Green e Renan Quinalha trazem peso, enquanto jornalistas e ativistas como André Fischer, Celso Curi e Ana Fadigas costuram um relato rico sobre o impacto da imprensa queer. É um time que sabe do que tá falando, e isso dá um tom bem autêntico.
Um dos pontos altos é o resgate das primeiras publicações abertamente homossexuais, como o jornal Lampião da Esquina, que foi um marco revolucionário nos anos 70 e 80. Lufe mostra como essas colunas gays pioneiras abriram caminho, mesmo sendo produções artesanais, distribuídas quase na clandestinidade. Outro destaque é o zine Chanacomchana, dos coletivos lésbicos paulistas, que trouxe representatividade e ativismo lésbico com força. O documentário também explora a diversidade de conteúdos que moldaram a imprensa LGBTQIA+ no país. Ele vai desde HQs como o Super Gay até o jornal Nuances, de Porto Alegre, mostrando como a comunidade usava a escrita pra se expressar.
Um marco cultural que me pegou foi a chegada da revista Sui Generis nos anos 90. Ela trouxe uma nova cara pra imprensa queer, com um olhar mais sofisticado e ousado. E o que falar da G Magazine? Foi uma catarse erótica que mexeu com a comunidade gay, virando um fenômeno popular. O filme captura bem como essas publicações eram mais do que revistas — eram atos de resistência e celebração da identidade.
A entrada da internet também ganha destaque, com o portal Mix Brasil sendo mostrado como a porta de entrada do conteúdo LGBTQIAPN+ no mundo digital. Lufe, que trabalhou sete anos no Mix Brasil e colaborou com outros veículos como A Capa e a própria G Magazine, traz uma perspectiva pessoal que enriquece o relato.
Apesar de toda essa riqueza, achei o tom do filme um pouco cru, sem aquele impacto emocional que poderia me fazer vibrar mais. Mas isso não tira seu valor histórico — é quase uma cápsula do tempo, que guarda com cuidado as vozes e as lutas da comunidade LGBTQIAPN+. !Uma Breve História da Imprensa LGBT+ no Brasil” é uma aula de jornalismo pra quem quer entender como a imprensa foi um grito de liberdade.
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