sexta-feira, 21 de março de 2025

Branca de Neve (Snow White, EUA, 2025)

 

Eu sou um apaixonado por “Branca de Neve e os Sete Anões", o clássico de 1937 que praticamente inventou o que entendemos por animação Disney. Cresci encantado com a simplicidade da história, a doçura da protagonista e, principalmente, o veneno elegante da Rainha Má – pra mim, uma das maiores vilãs de todos os tempos. Então, quando soube do remake live-action dirigido por Marc Webb, minhas expectativas estavam nas alturas, misturadas com aquele receio típico de quem ama algo tão imaculado. Será que fariam justiça ao original ou seria mais um caso de nostalgia reciclada?

Vamos começar com o elefante na sala: Gal Gadot como a Rainha Má. Ela é deslumbrante, isso é inegável. Cada cena com ela é um show de figurino e presença – as capas escuras, as unhas afiadas, o olhar que corta como faca. Mas, confesso, me pergunto se este era o momento certo pra Disney escalá-la. Com todo o contexto político envolvendo Israel, onde Gadot é uma figura pública vocal, a escolha carrega um peso que vai além da tela. E mais: a Disney a coloca no elenco, mas ainda resiste a representar personagens LGBTQIA+ de forma significativa. Não acho que ela esteja mal, longe disso, mas o timing e essas contradições deixam um gosto agridoce.

Por outro lado, Rachel Zegler como Branca de Neve é um acerto que me surpeendeu. Ela tem uma voz que enche o peito – “Waiting on a Wish” é de arrepiar – e traz uma energia que atualiza a personagem sem descaracterizá-la. Diferente do original, essa Branca não está só esperando um príncipe; ela quer liderar, e Zegler vende essa ideia com carisma. Ainda assim, sinto que o filme às vezes força demais essa narrativa “empoderada”, como se quisesse provar algo novo em vez de deixar a história fluir naturalmente.


Os momentos musicais são, sem dúvida, o ponto alto. As novas canções de Benj Pasek e Justin Paul têm aquele brilho Disney que me faz querer sair cantando, e os números clássicos como “Heigh-Ho” e “Whistle While You Work” ganharam uma energia renovada. Zegler brilha aqui, e até Gadot, com seu tom mais contido, entrega uma “Mirror, Mirror” que dá calafrios. É nesses instantes que o filme parece encontrar sua alma, me lembrando por que amo tanto essa história.


Mas o CGI, que deveria ser um apoio, muitas vezes engole o filme. Os sete anões, agora criaturas digitais, parecem saídos de um videogame, e isso quebra a imersão. Entendo a intenção de evitar estereótipos do original, mas a solução escolhida me deixou com saudade dos anõezinhos animados de 1937. A floresta, o castelo, tudo às vezes soa artificial demais, como se eu estivesse vendo um filtro de Instagram em vez de um mundo vivo.


A direção de Marc Webb tem seus méritos – ele sabe criar cenas grandiosas e manter um ritmo leve –, mas falta um toque de magia que o original tinha de sobra. O romance com Jonathan (Andrew Burnap) é funcional, mas não tem o peso de “Someday My Prince Will Come” (que, aliás, foi cortada, uma pena!). O filme troca essa camada romântica por uma mensagem mais política, com a Rainha Má como uma tirana fascista. É interessante, mas será que precisava ser tão explícito?

No fim, “Branca de Neve” é um misto de acertos e tropeços. Ele honra o clássico em alguns momentos, mas se perde em outros, tentando ser moderno demais ou preso a escolhas que não convencem. Meu coração de fã ficou dividido: senti falta de uma conexão mais profunda com o que fez o original tão especial. É um filme bonito, sim, mas não sei se é “o mais belo de todos”. Talvez eu seja só um nostálgico exigente, mas queria que esse remake me levasse de volta àquele encantamento de criança. 


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