sábado, 22 de março de 2025

Reflexões sobre 'Beleza Fatal': O Novelão Bissexual de Raphael Montes

Raphael Montes, carioca de 34 anos que arrasou no streaming com Bom Dia, Verônica e na literatura com Dias Perfeitos, estreia nas novelas com Beleza Fatal, o primeiro novelão original da Max, em 2025, com a direção de Maria de Médicis. Na trama, Sofia (Camila Queiroz), marcada pela prisão injusta da mãe (Vanessa Giácomo), trama vingança contra a tia vilã Lola (Camila Pitanga) num Rio fictício (mas nem tanto) de cirurgias plásticas e segredos. Sob supervisão de Silvio de Abreu, Montes entrega um folhetim raiz com um toque queer que conquistou corações — um debut icônico que já é história na teledramaturgia!

Lola, vivida por Camila Pitanga, é o coração pulsante de Beleza Fatal — uma vilã afetada, bissexual, com o bordão "my love" que fisgou o público no peito. Apesar das maldades (culpar a mãe de Sofia, reinar na Lolaland), seu carisma transcende: ela solta um "viva os gays", com toda aquela energia da Narcisa, que ecoou dentro e fora da tela, cativando o público queer. Pitanga a coloca no hall das icônicas, ao lado de Odete Roitman , Carminha e um toque exagerado da mexicana Paola Bracho. Inspirada na mãe de Montes, Lola é uma diva que a gente ama odiar — um arraso absoluto!

Sofia, na pele de Camila Queiroz, enterra a mocinha santinha das novelas tradicionais. Ela começa como vítima, mas vira uma vingadora feroz: (spoilers daqui pra frente!) transa com o marido de Lola, depois com a própria Lola, e arma tramoias sem pudor. Montes subverte o arquétipo, dando a Sofia uma ambiguidade queer — ela é paixão, caos e desejo, provando que mocinhas podem ser tão complexas quanto vilãs. É uma afronta deliciosa ao padrão imaculado da TV aberta! Raphael seu louco!


Herson Capri é Átila Argento, patriarca da família e mestre da cirurgia plástica, que esconde um romance com Marcelo (Drayson Menezzes), seu pupilo. Montes explora esse gay enrustido numa trama de poder e segredos, enquanto seu filho Benjamin (Caio Blat), marido de Lola, traz uma energia de brotheragem com Rog (Marcelo Serrado), em encontros na sauna. Os dois cirurgiões, ambiciosos e sem ética, são responsáveis pela morte de Rebeca Paixão numa cirurgia malfeita, unindo lucro e destruição num império de beleza torto.

No outro lado, o núcleo Paixão busca justiça: Elvirinha (Giovanna Antonelli), Lino (Augusto Madeira) e Alec (Breno Ferreira) lutam pela memória de Rebeca, filha e irmã perdida nas mãos de Benjamin e Rog. Elvirinha lidera com força maternal, Lino traz humor e união, e Alec, namorado de Sofia no início da trama, é o coração jovem dessa família humilde que enfrenta os Argento com astúcia e dor. É fabulosidade do povão contra o luxo cruel!


A identidade queer de Beleza Fatal brilha nas referências que Montes tece. O peso de O Beijo no Asfalto marca os momentos finais, o camp de Paraíso Tropical aparece em Lola com a fala "que boa ideia esse casamento primaveril em pleno outono", e A Próxima Vítima, de Silvio de Abreu, inspira as mortes inesperadas. É um novelão que honra a teledramaturgia brasileira, trazendo uma personalidade queer que reflete raízes e provocações.


O DNA de Montes tá em cada detalhe: o suspense de Festim Diabólico, do Hitchcock, o humor ácido de Dias Perfeitos, e o melodrama herdado de Silvio de Abreu. Autor assumidamente gay, ele traz uma lente única — personagens complexos, tramas que desafiam normas e um amor por provocar. 


A subtrama de Andréa (Kiara Felippe), mulher trans, e Thomás (Murilo Rosa), cirurgião, é um respiro em Beleza Fatal. Andréa enfrenta o preconceito de Átila enquanto vive um amor crescente com Thomás, que redescobre a vida ao lado dela. Montes dá espaço pra essa narrativa trans, sutil mas potente, refletindo lutas reais com delicadeza e força — um sopro de esperança num mar de intrigas, ainda que com seus próprios conflitos.


A estética de Beleza Fatal é um personagem à parte: a Lolaland rosa choque de Lola versus a clínica luxuosa dos Argento criticam o culto à beleza. Montes usa cirurgias plásticas, harmonizações e pressões sociais pra cutucar vaidade e ética, num pano de fundo que reflete a experiência queer de performar e resistir. É um novelão que veste a crítica social com botox e harmonização facial!


E o último capítulo? A estratégia da MAX de exibir numa sexta-feira em horário nobre foi digna das novelas que faziam o país parar e literalmente incendiou a tela, com as especulações da internet sendo confirmadas. Teve o clássico 'Quem Matou?' e um alívio trans poderoso com a citação da 'Balada de Gisberta' e a participação de Pepita. A novela me levou de volta aos velhos tempos de emoção de último capítulo nas noites da TV, mas o autor, apesar de revelar que não haverá uma segunda parte, deixou fios soltos e um final agridoce. No fim, a frase de Carol Argento (Manu Morelli) resumiu tudo: 'A beleza vai muito além do que se foi'. Um novelão pra entrar na história.



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