"Bob Mackie: Naked Illusion", dirigido por Matthew Miele, é uma ode reluzente a Bob Mackie, o visionário que transformou lantejoulas em sinônimo de poder e espetáculo. Conhecido por vestir ícones como Cher e Marilyn Monroe, Mackie é mais do que um figurinista — ele é um escultor de momentos que definiram a cultura pop. O documentário brilha ao mergulhar na carreira de seis décadas do "sultão das lantejoulas", mas também revela um artista que, mesmo sob os refletores, guarda camadas de mistério.
Miele faz mágica ao entrelaçar croquis, fotos e imagens de arquivo, criando um deleite visual que parece folhear um livro vivo da história da moda. Os esboços originais de Mackie, com traços precisos e notas de brilho, ganham vida ao lado de clipes de Cher desfilando plumas no Oscar ou Mitzi Gaynor em especiais de TV dos anos 60. Essas relíquias não são meros enfeites; elas mostram o processo de um gênio que planejava cada cristal como se fosse uma pincelada de Monet, transformando ideias em realidade palpável.
Os depoimentos, reunidos em um coral estelar, são o coração pulsante do filme. RuPaul reflete sobre como os figurinos de Mackie o elevaram a um novo nível de drag, Cher relembra o vestido-vingança de 1986 com aquele cocar que desafiou o establishment, e Tom Ford disseca a engenhosidade do "naked dress", conectando-o às passarelas modernas. Juntos, eles pintam Mackie como um alquimista da auto expressão, alguém cujas criações não apenas vestem, mas redefinem quem as usa.
Mas nem tudo é um desfile perfeito. O ritmo do documentário às vezes escorrega, como na inserção desajeitada do clipe de “If I Could Turn Back Time”. A vida pessoal de Mackie também fica nas sombras — a perda de um filho e os laços com os netos aparecem em flashes, mas nunca se aprofundam. Miele prefere manter o foco nas roupas, uma escolha compreensível, mas que deixa um vazio para quem busca o homem por trás das plumas.
O legado de Mackie, porém, é onde o filme encontra sua verdadeira força. Sua influência vai além do passado, ecoando em Miley Cyrus nos Grammys de 2023 ou nas coleções de alta-costura que ainda bebem de sua ousadia. Ele não só inventou o vestido-ilusão, mas pavimentou o caminho para a moda como performance, uma ideia que ressoa de RuPaul’s Drag Race às passarelas de Paris. Mackie é um titã cuja relevância transcende gerações, provando que glamour é atemporal quando feito com alma.
No fim, "Bob Mackie: Naked Illusion" é um tributo brilhante a um criador que veste sonhos com a precisão de um cirurgião e a paixão de um artista. É um convite para admirar não só as roupas, mas o espírito de um homem que fez do mundo seu palco. Para quem ama moda ou simplesmente um bom show, o filme é um lembrete: ninguém conjura ilusão como Bob Mackie.
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