
Em 2022, abracei o cinema queer como espaço de reinvenção e resistência, num mundo ainda marcado pelo isolamento e incerteza. Misturei o peso visceral de "Os Primeiros Soldados", de Rodrigo de Oliveira, com o brilho global da segunda temporada de "Euphoria", de Sam Levinson, e a delicadeza de "Heartstopper", de Alice Oseman, transformando o CINEMATOGRAFIA QUEER em refúgio e arma. Meu olhar crítico navegou entre a solidão pandêmica e a força de afirmar nossa identidade no caos, provando que, mesmo nas sombras, a gente brilha e resiste.
Janeiro: Start com Alma e Memória
Janeiro mostrou meu compromisso com narrativas LGBTQIA+ com "Corações de Pedra", de Guðmundur Arnar Guðmundsson, um drama intenso com cicatrizes que saltam da tela, enquanto "Os Primeiros Soldados", de Rodrigo de Oliveira, mergulhou no início da epidemia da AIDS, em Espírito Santo enquanto Fábio Leal abordou o sexo em tempos de máscara em "Seguindo Todos os Protocolos". "Queen of the Universe", com a vitória da brasileira Grag Queen (futura apresentadora do "Drag Race Brasil"), trouxe o "The Voice" das queens, mostrando que o Brasil lacra até no palco global. Um start que foi BERRO e um abraço!
Fevereiro: Toxinas Couture
Fevereiro me jogou na energia crua da segunda temporada de "Euphoria", de Sam Levinson, que analisei encantado por sua mistura de identidade, sexualidade, dependência química e saúde mental, numa estética em tons neon e uma trilha impecável. "The Velvet Underground", de Todd Haynes, revisitou o underground queer de Lou Reed. "Casa Gucci", de Ridley Scott, trouxe Lady Gaga para um assassinato fashion. Um mês pesado, mas que não se curvou!
Março: Rainhas em POP ART
Celebrei o mês da mulher com "Bessie", de Dee Rees, resgatando a lenda do blues, com Queen Latifah, e "Garota Infernal", de Karyn Kusama, trazendo terror adolescente afiado com Megan Fox. Meu especial MULHERES NA DIREÇÃO foi pura sensibilidade. "Os Diários de Andy Warhol", revisitou um ícone queer de quem sou fã, me identifico com seu olhar introspectivo e na explosão de POP ART que ele trouxe pro mundo. Olhei pra trás com orgulho e pra frente com fogo!
Abril: O Peso da Liberdade e o Abraço de Heartstopper
Abril foi uma montanha-russa. "Great Freedom", de Sebastian Meise, me socou com sua luta por liberdade na Alemanha pós-guerra, e meu especial "Almodóvar e A Voz Humana" mergulhou na obsessão do mestre pelo monólogo de Jean Cocteau. "Heartstopper", de Alice Oseman, me abraçou com amor jovem queer aquecendo meu coração como num início de namoro e "Tick, Tick… BOOM!", de Lin-Manuel Miranda, me ensinou tudo o que eu precisava sobre o musical Rent. Da pedrada ao afago!
Maio: Multiverso Queer e o Caos de Tudo em Todo Lugar
Maio lacrou com "Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo", de Daniel Kwan e Daniel Scheinert, um hino queer, sobre reconciliação parental, caótico e maravilhoso, que eu sabia que ia pro Oscar. Revistei "Deuses e Monstros", de Bill Condon, sobre a lenda James Whale, e "Ed Wood", de Tim Burton e "O Fantasma", de João Pedro Rodrigues. Um portal múltiplo!
Junho: Orgulho com Raízes e História
Junho, o Orgulho, foi uma história viva. "Línguas Desatadas", de Marlon Riggs, e "Os Tempos de Harvey Milk", de Rob Epstein, resgataram a luta, enquanto "Fire Island: Orgulho & Sedução", de Andrew Ahn, tentou reinventar Jane Austen. A nova versão de "Queer as Folk" reimaginou, sem muito sucesso, um clássico. Meu especial “Ancestralidade LGBTQIA+ no Cinema” celebrou o orgulho com raízes. Um farol no passado para iluminar o futuro.
Julho: Surrealismo a Francesa
Julho foi provocação com "Os Garotos Selvagens" e "After Blue (Dirty Paradise)", de Bertrand Mandico, onde gênero e desejo viraram surrealismo alucinante. "Shit & Champagne", de D’Arcy Drollinger, me ofereceu meskin e muitas risadas. "The Queen", de Frank Simon, e "Cazuza: O Tempo não Para", de Sandra Werneck e Walter Carvalho, celebraram ícones. Já "Peter Von Kant", de François Ozon, foi uma reinvenção poderosa do meu ídolo Rainer Werner Fassbinder. Cinema que não explica, só sente!
Agosto: Delicadeza em Chamas
Agosto foi um caldeirão. "Aftersun", de Charlotte Wells, me fez chorar com paternidade e memória. "Medusa", de Anita Rocha da Silveira, misturou feminismo e surrealismo com crítica social, enquanto "Fogo-Fátuo", de João Pedro Rodrigues, dançou entre homoerotismo e natureza com um toque poético e "Na Cama com Madonna", de Alek Keshishian, revisitou realeza pop queer dos anos 90. Um mês e tanto, puro fogo e paixão!
Setembro: Giallo Neon
Setembro foi estética pura com "Hideous", entonado por Oliver Sim, e "Les Îles", de Yann Gonzalez, neo-giallo erótico, musical e melancolia que eu amei. "Morte.Morte.Morte.", de Halina Reijn, trouxe slasher Gen Z queer. "Dahmer", de Ryan Murphy, me prendeu com true crime canibal. "The White Lotus", de Mike White, brilhou com “THESE GAYS ARE TRYING TO KILL ME” – Jennifer Coolidge rainha! Minha lista “Um Pouco Sobre Yann Gonzalez” mergulhou em "Os Encontros da Meia-Noite" e "Faca no Coração". Neo-giallo que incendeia!
Outubro: Gritos e Suspiros
Outubro abraçou o terror queer. "Suspiria: A Dança do Medo", de Luca Guadagnino, "Hellraiser", de David Bruckner, e "O Exorcismo da Minha Melhor Amiga", de Damon Thomas, revisitaram clássicos com subtexto, enquanto "Piggy", de Carlota Pereda, abordou o bullying com ferocidade. "Mais que Amigos", de Nicholas Stoller, e "Ao Seu Lado", trouxeram romance gay. Susto com suor e coração!
Novembro: Magnetismo Sombrio
Novembro foi uma salada chique! "Moonage Daydream", de Brett Morgen, celebrou David Bowie com um mergulho psicodélico, e "Chucky", de Don Mancini, voltou com Glen/Glenda, trazendo terror queer camp. "Close", de Lukas Dhont, me partiu o coração com sua delicadeza brutal, enquanto "My Policeman", de Michael Grandage, falou de amor oprimido com Harry Styles. "Tár", de Todd Field, com "Triângulo da Tristeza", de Ruben Östlund, exploraram dinâmicas de poder. "Queer for Fear", de Sam Wineman, e "Interview with the Vampire", de Rolin Jones, trouxeram terror elegante, e "Wandinha", de Tim Burton, lacrou com Jenna Ortega como Wednesday Addams. Brilho e lágrimas ácidas!
Dezembro: Corações Dilacerados em Festa
Dezembro fechou com minha primeira RetrospeQUEERtiva em três atos – filmes, terror queer e mulheres na direção. Meu "Top 10 Filmes e Séries LGBTQIA+ 2022" destacou "Fogo-Fátuo", de João Pedro Rodrigues, "Paloma", de Marcelo Gomes, e "Great Freedom", de Sebastian Meise. "Spoiler Alert", de Michael Ausiello, trouxe um Natal triste, mas a série "Smiley", de Guillem Clua, entregou fofura espanhola natalina. E pra encerrar canibalizando, teve "Até os Ossos", de Luca Guadagnino, com Taylor Russell e Timothée Chalamet devorando a tela. E meu último post do ano, sobre "Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos", fechou servindo gazpacho no RÉVEILLON!
O Toque Final
Em 2022, renasci no caos, transformando o cinema queer num espelho da nossa força, dor e beleza. De "Euphoria", de Sam Levinson, a "Heartstopper", de Alice Oseman, de Mandico a Liniker, cada escolha foi amor e luta. Um ano que provou que a gente resiste, reinventa e brilha e sem pedir permissão!
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