quarta-feira, 12 de março de 2025

O MELHOR AMIGO: Entrevista com Allan Deberton e Vinícius Teixeira


 O CINEMATOGRAFIA QUEER, traz uma entrevista vibrante com Allan Deberton, diretor de “O Melhor Amigo”, e Vinícius Teixeira, que dá vida ao protagonista Lucas. O filme, que chega aos cinemas pela sessão VITRINE PETROBRÁS é uma celebração solar da cultura nordestina e da experiência queer, costurado por música, dança e nostalgia dos anos 80 e 90. Allan e Vinícius compartilham os bastidores da criação, a paixão pelo musical e o impacto de um filme que promete emocionar e divertir, num momento de festa para o cinema brasileiro.


CINEMATOGRAFIA QUEER: “O Melhor Amigo” segue uma tendência de transformar curtas em longas, como o curta de mais de 10 anos com Jesuíta Barbosa. Allan, como foi esse processo de expansão?
Allan: Foi um desejo antigo! Em 2013, o curta fez sucesso em festivais e no YouTube, com muitos views e comentários tipo “Cadê o resto do filme?”. As pessoas se identificaram com o personagem e queriam mais. Na época, o sucesso de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, do Daniel Ribeiro, me inspirou. Pensei: “O Melhor Amigo pode encontrar esse público também”. Aí começou a brincadeira de adaptar, trazendo elementos como a cena do brigadeiro e do telefone, que os fãs adoravam, e construindo um reencontro nostálgico dos protagonistas, costurado por músicas dos anos 80 e 90 que substituíram cenas inteiras. Percebemos: “É um musical! Nosso Mamma Mia! do Nordeste”. Foi um processo conceitual, com estética de reencontro e celebração.


CINEMATOGRAFIA QUEER: O filme é solar e descentraliza o cinema nacional, dando visibilidade ao Ceará. Como foi trazer essa outra cultura, Allan?

Allan: Meu cinema tá fixado no Ceará, com profissionais e histórias locais. Filmei tudo lá, de “Pacarrete” aos curtas, e “O Melhor Amigo” tinha que ser em Canoa Quebrada, um paraíso que carregava minha paixão pessoal – nasci em Russas, pertinho dali. É um empoderamento mostrar que o cinema do Nordeste é tão rico quanto o do eixo Rio-São Paulo ou de qualquer região. O Brasil é continental, diverso, e o Ceará tem cineastas com obras distintas que enriquecem essa pluralidade.


CINEMATOGRAFIA QUEER: As cenas musicais são uma celebração na trama. Como foi costurá-las no roteiro?

Allan: Sempre começo pelos sons. Criei uma playlist no Spotify pra definir o tom do filme. As músicas trazem nostalgia e movimento, preenchendo lacunas como num quebra-cabeça. Com personagens trans e drags, quis uma estética queer exuberante, tipo Madonna ou Marqué, celebrativa e expansiva. Nem todas as músicas que queríamos vieram – como Como Uma Deusa, da Rosana –, mas Retratos e Canções ficou incrível na performance da mulher barbada. É um mood de explosão e divindade.


CINEMATOGRAFIA QUEER: E esse tom nostálgico dos anos 80, foi intencional?

Allan: Totalmente! Tenho um romantismo com os anos 80, uma época de comunicação autêntica, sem celulares isolando as pessoas. Quis trazer essa energia simples e feliz. Doce Mel, da Xuxa, abre o filme com alegria e pertencimento, e What a Feeling, do Flashdance, fecha com um clima Sessão da Tarde, despretensioso e leve. É um filme pra rever sem cansar.



CINEMATOGRAFIA QUEER: Vinícius, como foi encarar o Lucas e se preparar pras sequências de música e dança?

Vinícius: Passamos um mês em Fortaleza na preparação, um processo complexo. Era construir os personagens e, ao mesmo tempo, adaptar as coreografias e músicas pra nossas vozes e corpos. As letras revelam muito sobre Lucas e Felipe, então precisava ser orgânico, sensível. Tem músicas explosivas e outras intimistas, e nosso desafio foi trazer os personagens pras canções de forma natural, contando a história através delas.


CINEMATOGRAFIA QUEER: E como foi encontrar o Lucas e essa parceria com o Allan?

Vinícius: Trabalhei muito com o Gabi [o outro protagonista], guiados pela Georgina Castro. A relação dos dois é o coração do filme, com um passado que carregamos pro presente. Lucas é observador, introspectivo, tá em quase todas as cenas, mas nem sempre fala. Então, o olhar e o corpo tinham que comunicar o que ele sente, provocar o público a refletir. Com o Allan, foi um processo de troca, entendendo como Lucas se move e afeta o outro.


CINEMATOGRAFIA QUEER: O filme chega num momento de celebração pro cinema nacional. Como vocês veem isso de uma perspectiva queer.?

Allan: O trailer já está gerando mensagens de pessoas LGBT felizes por um filme solar, romântico e divertido. Temos muitos filmes densos sobre a comunidade, que são importantes, mas também precisamos nos ver na alegria. Uma comédia romântica musical tropical em Canoa Quebrada é algo novo pro cinema nacional, e o público tá pedindo isso, ainda mais com o Oscar de Ainda Estou Aqui. É um momento de festa!


CINEMATOGRAFIA QUEER: As participações de Gretchen e Mateus Carrieri são icônicas! Foi intencional chamar o Mateus, galã do imaginário gay?

Allan: Claro! Mateus é um ótimo ator, parceiro desde o início, e tem essa conexão com a comunidade, mesmo não sendo gay. Gretchen era um sonho antigo – com essa estética musical, ela tinha que ser a diva, brilhando num palco colorido e televisivo. Foi uma homenagem linda, e ela se entregou. A equipe toda se emocionou com os dois no set.



E para finalizar , um vídeo com aquele momento Letterboxd, que todo mundo adora, e não podia faltar.



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